Os  jantares vínicos do Octant Douro são a melhor forma de passar as noites de sexta-feira

Há muitas coisas boas por esse mundo, por Portugal, pelo Douro. Todas individualmente maravilhosas, mas é preciso ter um dedo especial para conseguir conjugá-las de forma a que todas brilhem e nenhuma destoe. Podemos ter um bom vinho a arruinar um delicioso prato, um restaurante que não faz jus à delicadeza da ementa. Nada disso acontece à mesa do Raiva.

O Raiva é, entenda-se, o restaurante do Octant Douro, a nova encarnação do hotel Douro 41, que em 2019 renasceu, nas margens do Douro, para uma segunda vida de luxo. A meio caminho entre a foz e os vales delineados por socalcos do Douro vinhateiro, serve de ponto de partida, ou de chegada, dependendo da perspetiva.

É la do alto, no culminar de uma estrada ziguezagueante, que mora precisamente a sala do restaurante comandado pelo chef Dárcio Henriques, uma das peças deste conjunto de forças que se revela nos eventos da Semana do Produtor. Chamam-lhe semana, mas tem como ponto alto as sextas-feiras, quando à mesa se reúnem comensais, um produtor e uma equipa que procura o melhor palco para fazer brilhar o vinho.

A iniciativa, que arrancou em outubro, irá prolongar-se até janeiro do próximo ano, sempre com um produtor diferente a cada semana. Pelas mesas do Raiva, nestes jantares vínicos, já passaram nomes como Maynards, Real Companhia Velha, Vieira de Sousa ou Quinta do Noval. Aquando da visita da NiT, a honra coube à Vallegre, conhecida pelos seus vinhos do Porto, mas que vai igualmente dando nas vistas com os seus moscatéis do Douro e vinhos de mesa.

A cada sexta-feira, cumpre também ao chef Dárcio Henriques a tarefa de criar um menu exclusivo que encaixe nos aromas de cada um dos vinhos selecionados pelo sommelier Bernardo Pinho. Ao menu de seis momentos cabe, portanto, a grata tarefa de fazer a ligação entre todos os elementos — mas as estrelas maiores são, naturalmente, os vinhos.

E porque são as estrelas de que se fala, cada sexta-feira, traz também uma prova que antecede a refeição, onde o produtor — que também vai correndo as mesas durante a o jantar — pode alongar-se na explicação e apresentação das suas criações.

Desta feita, o enólogo César Pinacho trouxe consigo vários exemplares dos seus fortificados e também as belas surpresas que são os DOC, por exemplo, o monocasta Rabigato, mas sobretudo os dois reserva especial, o branco e o tinto de vinhas velhas. A acompanhar, o menu de degustação de seis momentos.

De uma sopa de abóbora Hokkaido com avelã e uma emulsão de manteiga noisette, a vieira com puré de topinambur, até um cantaril com puré de couve-flor e molho de sopa de peixe. A festa terminou com um salame de chocolate branco e uma brisa de laranja com gelado de baunilha de Madagáscar, a abrirem o palco a um moscatel do Douro da colheita de 1994.

A cada semana, os elementos da equação mudam e obrigam à reinvenção. O produtor dá lugar ao seguinte e no Raiva reimagina-se novo menu de seis momentos. Os jantares vínicos estão abertos a todos, com um custo de 115€ por pessoa, um valor que inclui o wine pairing. E se tiver as sextas-feiras ocupadas, não se preocupe, o menu especial está também disponível aos sábados, embora exija reserva prévia.

A experiência pode, claro, ficar ainda mais completa para quem optar por prolongar a estadia para lá do jantar.