E se um hotel no douro o convidasse a jantar com os melhores produtores de vinho da região?

Esta ideia dos jantares vínicos já não é de agora. O ano passado, o Octant Douro já recebia os mais curiosos por este mundo apaixonante da produção de vinhos. A ideia das chamadas “Semanas do Produtor” é dar a conhecer o património da região através do seu maior talento: o vinho. Assim, a cada sexta-feira, o restaurante Raiva recebe um vinicultor cujos talentos acompanham um menu de degustação pensado pelo chef Dárcio Henriques para estes pairing exclusivos: “Todas as semanas atualizamos o menu de acordo com o produtor, este senta-se connosco e discutimos juntos o perfil do vinho e, a partir daí, desenvolvemos os pratos”, explica-nos o chef quando vem à mesa cumprimentar os convivas.

O Restaurante Raiva está no Guia Michelin de Portugal e Espanha, por isso sabe bem o que faz. Recentemente, aumentaram a oferta de vegetariano e a secção de biológicos e vegan, o que são excelentes notícias, sem nunca perder o lado clássico da sua cozinha, que tão bem rima com a paisagem ribeirinha do velho Douro. A seleção de vinhos, como se deve imaginar, é fantástica: “Vamos ao cofre dos produtores e choramos para ter umas colheitas especiais”, diz-nos Bernardo Pinho, o sommelier do Raiva, enquanto nos serve um rosé fresco, com um equilíbrio perfeito entre acidez e secura, ideal para acompanhar a sopa de abóbora Hokkaido com avelãs que inicia o menu com a equipa dos vinhos Barão de Vilar. Também chega à mesa um delicioso pão de massa mãe vindo de uma panificadora antiga em Castelo de Paiva e broa de milho onde se derrete a manteiga fumada com carqueja (“Aqui trocava-se carqueja por vinho do Porto”, ouvimos alguém comentar à mesa). “Queremos marcar a diferença de alguma maneira”, e conta-nos, orgulhoso, da elevada seleção vinhos do Porto (são mais de 150), o que chama de “os campeões do Douro, os vinhos mais pontuados, também os orgânicos e com perfis diferentes de maridagem. A carta de vinhos percorre toda a baía hidrográfica do Douro, desde que ele nasce”, remata o sommelier. E sim, têm um Vinho do Porto com mais de 150 anos em madeira.”

Seguem-se uns profiteroles recheados de mascarpone com castanhas e perfume de presunto, acompanhados por um reserva branco, mineral e fresco, das castas brancas mais emblemáticos, onde se destaca o Viosinho, que tão bem abraça as vieiras com puré de topinambur e redução de caldo de legumes, realçando o sabor a mar. Experimentamos os tintos Barão de Vilar dos melhores anos, o que “exige muito estágio de garrafeira”, explica-nos Fernando Van Zeller, o proprietário, sentado ao nosso lado e contaminando toda a mesa com um humor sofisticado. Avançamos para o bacalhau confitado com puré de feijão branco e feijoada de chouriço, por isso bebe-se “um tinto com juventude, mesmo não sendo jovem.” Os carnívoros comeram depois veado com puré de pastinaca, alguns preferiram o pregado com puré de cogumelos e um perfume de trufa, acompanhado por um reserva Touriga Nacional, um vinho mais herbal, das castas mais emblemáticas do Douro. “O ano de 2011 foi espetacular, porque aconteceu tudo, em termos de clima, que devia acontecer”.

Se o produtor oferece uma pequena prova no hall do hotel antes do jantar, também o vemos levantar-se e ir às mesas que escolheram o menu pensado para o seu vinho para conversar um pouco. Tudo sabe à antiga, polida e confortável informalidade portuguesa, que parece ignorar as novas gerações que preferem viver online. Durante a semana que se segue, estes mesmos vinhos, e outros rótulos da coleção, são promovidos na loja do Octant, explica-nos o seu subdiretor, Lourenço Guimarães, e sublinha o compromisso do hotel para trabalhar com os produtores locais, a vários níveis, o que inclui legumes e frutas, e o que de melhor houver na região do Douro e do Duero espanhol.

Saboreamos um Porto Barão de Vilar Tawny, colheita de 2005, que nos dá uma frescura inusitada: “É o tira-gosto, para desenjoar e tirar a sensação de gordura da boca”, esclarece Bernardo Pinto, numa antecipação ao sorbet de maçã e manjericão. E, sim, provamos também um Porto branco de 1963, “dos melhores anos dos séculos XX, é o ano mais excecional antes de corrigirem os solos do Douro, e o melhor ano do vinho do Porto até aos anos 90”, explica Fernando Van Zeller enquanto exploramos, ao mesmo tempo, um brownie de chocolate com ganache de chocolate branco, gelado de baunilha e chocolate, um telhado de chocolate e chantilly de baunilha. Sobressai o tabaco e as nozes de um vinho muito mais velho, cheio de vidas para contar.

Os produtores que se seguem

Se no passado 3 de março, o Raiva recebeu Gil Taveira, produtor e enólogo da Fraga do Calvo, na semana que termina a 11 de março recebe os vinhos da Quanta Terra, com destaque para o Phenomena Rosé, o Quanta Terra Branco, o Quanta Terra Grande Reserva Tinto e o Manifesto 2016. Dia 10, o jantar terá a presença de Celso Pereira, seu enólogo e produtor. Os dias 20 a 26 de março serão animados pelos vinhos Wine & Soul de Sandra Tavares. Consta que vão brilhar o Guru 2021, o Quinta da Manoella Vinhas Velhas, o Pintas 2020 e o Pintas Vintage Porto. A proprietária e enóloga vai abrilhantar o jantar de dia 17, contar a história por detrás dos seus vinhos e (quase) todos os seus segredos. A última semana de março, que vai até 4 de abril, será o regresso da muito recomendável equipa da icónica Barão de Vilar, na companhia de Fernando Van Zeller e Álvaro Van Zeller no dia 3, e prometemos que vai ser feliz com o Kaputt Branco segunda edição, com o Vilarissa Garrafeira 2014 e com o mencionado Maynard’s Colheita Porto de 1963.

Estes menus especiais de harmonização têm um custo de 115 euros e, para além das sextas mágicas, também podem ser reservados aos sábados através do website ou pelo 255 690 160. A pedido dos clientes, o Octant providencia jantares em diferentes partes do hotel, nomeadamente na nova suíte com piscina infinita. Se ficar a dormir por lá, o que se aconselha, peça ovos ao pequeno-almoço, que são muito bons (também para a ressaca), aproveite as várias manteigas e o mel que se rouba dos seus próprios favos, os crepes e bolos caseiros acompanhados com uma bela seleção de chás Kusmi, que não é todos os dias, nem em quase hotel nenhum que se encontram. E, claro, vá até ao spa e peça ao João para fazer uma massagem das suas com produtos Moss of the Isles, suave e delicada, firme e profunda, com a atenção terapêutica ao corpo, muito para além das comuns massagens de relaxamento. Vai ter a sensação de levantar voo sobre o Douro.

A DHM – Discovery Hotel Management é a marca de gestão criada no seio do Discovery Portugal Fund com o objetivo de gerir um conjunto de unidades hoteleiras. A DHM – Discovery Hotel Management integra uma equipa de profissionais qualificados nas diferentes áreas do setor. O conceito dos hotéis DHM é baseado na autenticidade, informalidade e respeito pelas características únicas dos locais onde estão inseridos. Cada hotel tem a sua própria identidade, privilegiando as experiências em sintonia com a região e a envolvente natural. A DHM – Discovery Hotel Management tem como objetivo atingir a sustentabilidade financeira e otimizar a performance das suas unidades, através de modelos de gestão e conceitos inovadores.